A DESGASTANTE BUSCA PELOS PORQUÊS NOS FINS DE RELACIONAMENTOS



É comum no fim de relacionamentos termos a necessidade de buscar porquês. Queremos entender os motivos das coisas não terem dado certo como gostaríamos. Queremos entender o que passou na cabeça do outro, o que fizemos de errado, se poderia ter sido diferente, se o eventual problema existente teria solução.


Eu sofri demais com o mal da busca pelos porquês, que enlouquece qualquer ser equilibrado, o que dirá os desequilibrados como costumavam ser Maria e Julia dentro de mim. E assim, por vezes, fundi o cérebro, me desgastei, sentindo uma enorme variedade de emoções que faziam eu me perder entre realidades e hipóteses. Maria induzia Julia a se perder, com sua crença distorcida de que o outro sempre tinha a razão e ela era apenas o cocô do cavalo do bandido. Lembro-me que depois de um tempo pensando, eu já nem sabia mais quem era o Jorge real e quem era o Jorge fruto das minhas deduções. E o pior, é que eu nunca obtive certezas para os meus questionamentos, por maior que tivesse sido o meu esforço em buscá-las.


A única conclusão que cheguei depois de todos os processos desgastantes de reflexão aos quais me submeti, é que pensarmos, pensarmos, pensarmos querendo entender o passado não nos leva a nada além do que tumultuar o presente e logo, o futuro; e muitas vezes, perdê-los. De brinde, também ganhamos feridas que ainda não tinham surgido em nossa alma ou aumentamos as que já existiam.


Queremos concluir algo, mas esquecemos que, muitas vezes, nem quem pulou fora do relacionamento sabe a razão pelo que o fez. E por mais que tais pessoas até tenham a boa vontade de nos explicarem razões, não quer dizer que o que sai da boca delas seja a real verdade. As palavras podem carregar mentiras, loucuras, inseguranças, orgulho, vergonhas, falta de autoconhecimento, formas distorcidas e convenientes de se ver os fatos, entre outras tantas coisas. Nem todos os raciocínios são lógicos. Nem todos possuem ações controladas e pensadas o tempo todo. Há um mundo de impulsividades e equívocos que regem os seres humanos, sem que percebamos isso a curto prazo ou até o fim de nossas vidas. Triste, mas nada garante nada, inclusive dentro de nós.


Creio que a verdade, sem parcialidades, só Deus sabe. E ele também não vai nos contar. Não no tempo que queremos, não do modo que queremos. Dizem que é por proteção. Acreditemos! Por isso, sempre que me pego querendo pirar meu cabeção na busca pelos porquês de algo, eu me agarro a um conselho sábio dado por um grande amigo: “desista disso, pois é pura perda de tempo e energia. Na ausência da real verdade, o melhor é acreditar na que mais nos conforta, na que nos é mais conveniente e assim, seguirmos.” Seguirmos sem pensar. Nos libertarmos do que passou.


O fato é que se a vida achar que deve, nos apresentará as explicações no decorrer do tempo. Se não, se ela julgar que a real verdade não acrescenta nada ao nosso bem estar e evolução, não o fará. O bom é que com o tempo, não saber o verdadeiro motivo de algo se torna indiferente para nós. Com o passar dos dias, nada do que passou importa como importava no momento do ocorrido. Tudo passa, se deixarmos que passe. Façamos isso por nós!

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