CINQUENTA TONS DA MINHA LIBERDADE



Chorei vendo cinquenta tons de liberdade. Chorei aquele choro de franzir a testa. Choro de Maria. Chorei como há anos não chorava em qualquer filme ou situação que tivesse um final amoroso feliz. Nos últimos anos nem os casamentos me emocionavam. Pelo contrário, achava sempre as cerimônias, as promessas e as declarações que os noivos faziam um ao outro tremendas hipocrisias: promessas em vão, raramente a serem cumpridas por ambas as partes.


Isso porque Maria andava desanimada, descrente, cansada. Não posso nem dizer que

foi Julia, com seu lado emocionalmente independente, que colocou em segundo plano as questões de amor de Maria ou adormeceu seu lado sonhador e crente em finais felizes. Quem colocou foi a própria vida e as decepções dos últimos tempos, aliadas com o jeito antigo e imaturo de Maria de acreditar em relacionamentos de conto de fadas, em um mundo cor de rosa, em missões quase impossíveis; em acreditar demasiadamente no próximo sem grandes questionamentos dos valores dos outros versus aos seus.


Quando me peguei chorando, senti um misto de emoções que foram de surpresa à alegria. Fechar-se para o amor, ou se tornar bem racional, com Julia sempre à frente das novas empreitadas românticas ou não tão românticas assim, é uma autoproteção que se nos poupa de frustrações, também nos poupa de alegrias. Nos aprisiona em nós mesmos. É isso. Entristece a vida. Deixa tudo cinza. E se não precisamos viver em um mundo cor de rosa, também não precisamos viver em um mundo acinzentado, sozinhos, solitariamente falando. Meio termo é fundamental.


Para mim, Cinquenta Tons de Liberdade é mais uma demonstração de que todos sonham com o amor. E que tal sonho sempre está por trás dos mais diversos níveis de se demonstrar o gostar, implícito em desejos sexuais, em relacionamentos teoricamente fundamentados na obtenção de prazeres corporais, em poses de autossuficiência, objetivos de independência, homens de muitas mulheres, mulheres de poucos homens, mulheres tímidas ou atrevidas, mais Marias ou mais Julias, meio a meio também. Está por trás, inclusive, daquele que é aparentemente frio, seja de nascença ou por consequência dos baques da vida. Creio que todo ser humano lá no fundo, sonha em ter um relacionamento amoroso bem sucedido. Inclusive eu. Ainda sonho.


Sentir aquelas lágrimas dos olhos e o seu quentinho escorrendo pela minha face, foi um

calmante para o meu coração. Foi um alívio. Foi sentir a cura, de quem já sofreu

demais, mas se libertou das teias paralisantes que o sofrimento deixa. De quem segue acreditando no amor, de alma, de coração. De um jeito diferente, mais maduro, mais certeiro. De um jeito que funciona melhor por não deslumbrar mais finais felizes independentes do caminho a ser percorrido, mas sim um dia a dia feliz, construído por ambas as partes com pé no chão, comprometimento e atenção constantes, focada no equilíbrio entre sonhos e a realidade dos fatos, com o par ideal para mim. Ufa! Não é fácil ainda assim, mas...


Que bom voltar a chorar lágrimas de amor. Que alívio sentir a esperança em amar acordar. Cinquenta tons de liberdade me provou que estou livre para amar de novo. O tempo junto às minhas mudanças internas no decorrer dele me curaram, além, é claro, daquele novo rapaz que conheci na semana passada e me deu a impressão de que tudo poderá ser diferente. Nada como o tempo acompanhado de autotransformação e esperança!

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