Compaixão é Salvação


Entre tantos desejos, tenho o de desenvolver a compaixão como reação aos ataques alheios, de modo a torná-la um hábito e não algo que precise de minha concentração para ser executada. Certamente, a bondosa Maria possui bastante potencial para isso. Quero que ela substitua os sentimentos negativos, que ativam reações impulsivas, impensadas e terríveis em Julia, por compaixão imediata. Refiro-me às reações fruto das emoções à flor da pele, às vezes merecidas sim pelo outro, mas que nos fazem perder a razão e/ou o sossego, principalmente perante ao povo que sabe, como ninguém, transformar a vítima no agressor.


Já me convenci do bem que é sentirmos compaixão. Esse sentimento é capaz de nos deixar leves mesmo depois de termos sido injustiçados e espancados emocionalmente, seja com palavras ou ações. Sentir compaixão facilita a aceitação da situação, permitindo a continuidade dos relacionamentos ou a ruptura dos mesmos, de forma verdadeiramente libertadora, ou seja, como consequência de uma escolha tomada em estado de equilíbrio e com discernimento. A compaixão nos acalma e faz enxergar com doçura aquilo que é amargo, a procurar o lado bom de tudo e o aprendizado no problema, nosso e do outro, aliviando nossas revoltas e consequentemente, nossas reações ao agressor.


Tal sentimento tem o poder de nos tirar do lugar de personagens vitimados e nos

colocar no lugar de super heróis observadores, totalmente capazes de nos salvar de

qualquer sofrimento. Creio que isso é porque a compaixão nos lembra, que todos nós estamos em processo evolutivo e bem ou mal, feliz ou não, o verdadeiro motivo das relações humanas é o crescimento conjunto. Também nos lembra que se o outro possui formas de pensar e atitudes com as quais não concordamos, é mais uma prova de que só nós mesmos podemos fazer algo por nós.


A compaixão nos faz enxergar as atitudes alheias com uma “pena carinhosa”, grande o suficiente para nos gerar uma vontade milagrosa de não dar sequência às brigas e surpreendentemente, de relevarmos os erros alheios, além do mais importante, perdoarmos-os. Ela nos leva a agir com a serenidade de quem não exige do outro aquilo que ele não tem para dar e entende as falhas alheias como imperfeições a serem superadas, assim como também temos as nossas, mesmo que as imperfeições do outro sejam diferentes em gênero, número e grau das nossas. A compaixão, incrivelmente, chega a nos fazer simpatizar com o ofensor e nos faz até o ajudarmos para que supere suas dificuldades, e em um futuro, não seja mais capaz de fazer a alguém o mal que foi capaz de nos fazer um dia.


Segundo o dicionário Aurélio , a compaixão é o “Sentimento de pesar que nos causam os males alheios; comiseração, piedade, dó.”, mas para mim é a fórmula para o sucesso da boa convivência ou o melhor tratamento emocional e espiritual para o ser humano. É uma importante alavanca para a evolução, talvez seja a abstração da bandeira da paz na guerra. Ou no mínimo, o escudo ou uma espécie de capa protetiva para nós que somos comprometidos com as boas relações, capa esta que não permite que nada de externo nos atinja.

É ainda, uma espécie de arma ,que quando acionada, dispara balas capazes de matar o mal lançado em nossa direção, não pela raiz, afinal essa missão depende do livre arbítrio de quem o lançou, mas o suficiente para não sermos atingidos com desamor, ao ponto de nos tornarmos infelizes e logo, agressores também.


Muita, mas muita compaixão para continuar vivendo e convivendo... é o que mais quero pra mim! É o que mais desejo pra nós.


*Psicografia recebida por Camila Bove e adaptada ao Maria Julia fala de amor.

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