NÃO SOMOS OS RÓTULOS QUE NOS DÃO




Quem nunca foi taxada de algo por alguém? Acredito que não passemos nenhum dia sem ouvir dos outros frases como: “você é isso…”, “você é aquilo…”, “você é assim…”, “ela é isso…”, “ela é aquilo…”, “ela é assim…”, normalmente completadas por adjetivos negativos. O pior disso não é se entristecer com o que os outros pensam da gente e sim, com o que nós pensamos de nós. Afinal, se o julgamento do outro nos magoou é porque aceitamos e concordamos com o que ele pensa sobre nós.


O que de nós conhecemos para não acreditarmos fiel e cegamente no julgamento alheio? É nisso que se encontra a real gravidade do problema: passamos muito tempo, se não uma vida, achando que somos o que nos dizem quem somos, sem pararmos para avaliarmos se as críticas dos outros realmente procedem ou são apenas a percepção de quem critica, baseada em seus sentimentos e visão de mundo.


Passei a minha vida inteira ouvindo, dentre outras coisas, dois julgamentos que me atormentaram até hoje. Acreditei tanto neles que levei o caso ao meu terapeuta e ao meu psiquiatra, afirmando ser aquilo que não era. Após análises feitas por ambos os profissionais, descobri que eu não sofria do mal que eu sempre achei que sofresse. O qual dava em minha Maria uma culpa filha da puta por ser, aos olhos alheios, anormal e incapaz de me consertar sozinha.


Não consigo descrever aqui o alívio que senti ao ouvir o diagnóstico de normalidade. Foi algo prazeroso e assustador. Me senti aceita, não pecadora, liberta, sem um peso sobre os meus ombros. Claro que até aqui ainda fui dependente da opinião dos outros para conseguir me definir para mim, mas dessa vez por profissionais e não por qualquer um, o que me fez aprender a lição, a qual compartilho:


É muito triste precisarmos ouvir dos outros que não somos os rótulos que nos dão. Nem negativos, nem positivos. É triste carregamos por anos culpa por sermos o que somos, principalmente quando o que somos não possui tanta carga negativa assim. A carga negativa torna-se quase 100% a nossa autocrítica excessiva.


Devido a vasta profundidade do ser humano, de sua mente e da ampla vida de seu espírito, ninguém além do nosso coração sabe quem somos, para onde vamos e os reais motivos que geram tudo isso. Se mesmo um profissional estudado e treinado para avaliar a mente e o comportamento humano, precisa de horas nos ouvindo para tentar entender a causa dos nossos problemas e fechar um diagnóstico, por quê merda, então, achamos que qualquer um é capaz de nos definir?, questiona Julia.


Se nós, muitas vezes, temos dúvidas dos nossos próprios sentimentos, como os outros podem ter tanta certeza? Nem mãe, nem pai, só o espirito santo, além de nós, pode saber de fato quem somos. E nós, somente, e a partir do momento, que realmente paramos para refletir sobre isso com a cabeça bem alinhada ao coração. Olharmos para nós e para os fatos reais.


Hoje, sem a culpa por ser quem eu sou, e portanto, conseguindo me autoanalisar com base na realidade dos fatos e não em opiniões alheias sem fundamento, sou capaz de parar e pensar, com a cabeça de Julia junta ao coração de Maria: “Mas o que o outro aponta sobre mim, realmente procede ou é apenas a sua percepção? Ou ainda, uma inteligente manipulação?”.


O autoconhecimento de Maria e autoconfiança de Julia, não aceitam mais, cegamente, o julgamento alheio, de ninguém, fazendo assim que eu teça a minha real opinião sobre mim.


Na verdade, percebi que o fato de eu ser tão eu,consciente ou inconscientemente, é que faz com que os outros dediquem tempo para me julgarem ao invés de viverem as suas próprias vidas. Não ligo mais: Perda de tempo para eles. Sobra de vida para mim.


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