• Maria Julia

O INÍCIO DE TUDO

Atualizado: 7 de Mai de 2018


Jorge e eu nos conhecemos no colégio. Tínhamos 17 anos, os hormônios a flor da pele e um tanto de emoções pessoais mal resolvidas, das quais na época não fazíamos nem ideia, mas que contribuiriam para a nossa união e claro, para a nossa futura, bem futura, separação.




Dizia Jorge que se apaixonou por mim devido a minha beleza. Já eu, não sei bem porque me apaixonei por ele. Não que ele não tivesse qualidades, mas mesmo naquela época apresentava um jeito de ser bem diferente do meu.


Jorge era da turma do fundão, não estudava para as provas, não fazia as tarefas e entrava nas aulas pós almoço, suado e atrasado. Era da turma da encrenca. Não se concentrava, fazia de tudo uma piada, tinha como objetivo de vida ser o feliz da classe, o centro das atenções.


Ele era repetente, mais velho, aparentemente mais independente. Jorge já trabalhava, tinha salário e carro. Bem mais que eu. Jorge se valorizava. Maria e Julia ainda não. Creio que por isso me apaixonei.


Ele também tinha alguns quilos a mais, muitos quilos aliás, mas eu não ligava, afinal, já fui assim um dia. Era fofo. Também ganhava de mim em altura física, o que permitia que eu ficasse encaixada embaixo do seu queixo, deixando Maria se sentir iludida, digo, protegida, como se sentem as pessoas dependentes emocionalmente de alguém.


Além de tudo isso, Jorge tinha se encantado e investido, mesmo eu infantilmente ganhando mesada, sendo levada e buscada pelos meus pais para todo canto, apresentar resquícios de flacidez de pele da minha época de obesidade e possuir características que me enquadravam perfeitamente no grupo dos nerds, jovens sérios ironizados e desprezados, normalmente, por jovens não tão sérios assim.


Por fim, o rapaz queria namorar e Julia adorava o fato de ter um namorado. Isso parecia adulto. Parecia crescimento e ela sempre amou crescer, mesmo que intuitivamente pelos sonhos de Maria, sem plano diretor para tal. Pois é, havia admiração mútua, em bases não muito sólidas, com naturais confusões mentais.


E assim Jorge e eu começamos mais uma história de opostos que se atraem e permanecem juntos por motivos que não são bem amor um pelo outro.


Se adultos fazem isso, o que dirá adolescentes.

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