PRIMEIRA CARTA A DEUS



Deus,


Queria lhe pedir perdão por todas as vezes que quero resolver o que é de sua alçada. Quando mesmo depois de eu ter concordado em lhe entregar o problema, o pego de volta e o agarro com força, sem sequer pedir licença. Juro que não tenho a prepotência e nem acredito ser mais eficiente que o senhor. Sinto apenas ansiedade e vontade louca de minimizar o meu sofrimento, no meu próprio tempo.


Já entendi que quando quero controlar as coisas, ao invés de me autocontrolar, antecipando finais, eu só postergo a tristeza. Já entendi também que soltar histórias aparentemente sem solução para que a vida as resolva é a única alternativa, e que ter constante fé é meu aprendizado, a última participação que me resta nos casos caóticos de minha vida.


Acontece que no auge do meu desespero, a vontade de agir de Julia se torna avassaladora. Logo, minha força física se torna maior que a minha força espiritual, e desejo guerrear, solucionando tudo ao medo modo, ao invés de confiar nas linhas tortas da vida que o senhor escreve. Quero fazer acontecer a qualquer custo. Julia quer porque Maria precisa.


Diante do sofrimento de Maria, Julia não se cala. Desequilibrada, fala tanto que me convence e assim, me desgasto por inteira. Pior meu Deus, não desgasto só a mim, desgasto aos outros que se desgastam de me verem desgastada e por ouvirem sobre todos os meus desgastes. É desgastante.


Destruo as boas energias que fazem a vida fluir para melhor, a justiça divina ter força. Paraliso a vida.


Paraliso a minha vida por alguém que não quis ficar. Quero ir atrás de quem não quis ficar. Maria quer. Julia, ainda fraca interiormente vai, se Maria quer.


Deus, proteja-me de Maria, que pela dor que sente se perdeu do amor próprio e da fé. Proteja-me de Julia que ainda se encontra tão escrava de Maria, e confusa, acredita poder resolver tudo. Deus, proteja-me de mim. Eu não sei o que faço.

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