• Maria Julia

SOBRE VIRAR JOGOS - Obrigada, Pai.



Quem não gosta de estabilidade? Eu gosto. Maria também. Aliás, Maria era do tipo que queria morrer em situações instáveis, até Julia assumir toda parte que lhe cabia em mim. A insegurança de Maria me fazia querer ter o controle de tudo, como se isso garantisse a tal segurança sonhada. Queria a certeza de que não iria sofrer, perder, me machucar, ter um prejuízo ou qualquer outra coisa não muito positiva. Queria uma vida de sucesso certo em todos os aspectos dela.


Até que um dia, em uma situação pós o fim de um relacionamento amoroso unida a um problema um pouco ameaçador no trabalho, que tornava aparentemente perdido todo o esforço que eu havia tido até o momento, disse ao meu pai que sentia insegurança em minha vida afetiva e profissional, e consequente desânimo de viver. Dramática assim mesmo, bem Maria mole. Parecia que lutar não me levava a nada de bom. E não ver o resultado esperado era frustrante.


Claro que quando digo nada de bom, falo segundo a minha visão humana, limitada e imediatista. Nada de bom como sinônimo de: não aconteceu como eu queria ou como planejei, portanto vida, não fale mais comigo!


Como se me desse um tapa na cara de acorda menina, meu pai disse que não existe certeza de que as coisas sairão como queremos, por mais que haja esforço. Disse sem dó nem piedade, com a voz calma, mas da mesma forma incisiva que a vida faz quando nos apresenta realidades que forçam o nosso crescimento. Preto no branco! E ouvir isso de um pai, que normalmente faz tudo por nós, significa, realmente, que nada pode ser feito de concreto para que os nossos objetivos sejam alcançados sempre.


Existe a fé que nos ajuda a não desistirmos de seguir diante do que em um primeiro momento, e sob a nossa visão, nos prejudicou. Existe o tempo que, na maioria das vezes, consegue nos fazer entender que não fomos tão prejudicados assim e que tudo ocorreu para o nosso bem. Mas não existem garantias para o sucesso específico que desejamos, independente de qual seja ele. A vida não fecha contrato com os anseios de ninguém. Só com os merecimentos. E claro que ao modo dela enxergar, muitas vezes diferente do nosso.


O susto foi tanto quando meu pai me contou que não há nada e nem ninguém que garanta a segurança por mim almejada, que algo ativou no meu cérebro fazendo com que aquele momento se eternizasse em minhas lembranças. Senti também uma força expandir internamente. Tipo aquela coisa de “nunca sabemos a força que temos até que ser forte seja a única escolha.” somado a “mãos ao alto, é um assalto!”.


Com o tempo descobri que essa tal expansão de força era a Julia crescendo. Também descobri que, apesar de na ocasião sentir que sim, meu pai não havia me roubado nada que de fato eu não precisasse perder para, assim, ter mais chances de sucesso.


“Ganha a vida quem sabe enxergar os problemas como oportunidades e virar jogos na direção da vitória. Abrace os desafios, eles nos alavancam e selecionam os melhores. Mantenha-se sempre conectada a Deus para que ele lhe inspire a fazer a escolha certa e para que você não se sinta sozinha. Creia em si para ter garra de lutar. Creia em ambos para que você não tema arriscar. Tenha velocidade de ação. Aja sempre no bem. Confie nos apontamentos da vida. E assim, persista e recomece quantas vezes for preciso.”- disse meu pai a mim.


Feliz daquele que confia na vida e em si para virar jogos incansavelmente. E assim, ganha a qualquer momento, dentro das diversas maneiras que se pode entender por vencer, tornando isso a sua única segurança de viver.


Todo limão bem espremido vira limonada. Eu virei. Limonada de Julia, adoçada com Maria.


Obrigada, pai.

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