SOMOS TODOS ESPECIAIS: O MUNDO É UM GRANDE BOLO FLORESTA NEGRA



Estava lendo uma reportagem, na revista Glamour, sobre alguns jovens de sucesso e seus grandes feitos para a atualidade. Eram pessoas comuns, com trabalhos pequenos, de expressão mediana, mas reconhecidos por contribuírem para o progresso de outras pessoas, seja na internet ou no mundo bem real.


Nas entrevistas, todas diziam que sempre sentiram que tinham a missão de mudar o mundo, e que seus trabalhos seriam transformadores da sociedade. Que eram pessoas especiais, missionárias, revolucionárias de algo.


Curioso que sinto isso também. Sem falsa modéstia, acho que meus textos sobre amor e relacionamentos irão conduzir as mulheres que os lerem, para uma expansão de consciência curadora, um fortalecimento interior, nunca alcançados antes (risos). Viva eu! Meu vizinho, que é professor, disse que escolheu tal profissão porque quer fazer a diferença na vida dos jovens.


A caixa do mercado acredita que seu sorriso para cada cliente salva o dia dos mesmos. E meu primo que é médico? Queria salvar vidas, salvar pessoas. Meu pai abraça todos que vê pela frente e diz que seu abraço é energizante, revitalizador. Que graças a ele a pessoa mandará a tristeza para longe. E tenho uma amiga que acredita, de verdade, que a união de sua família só ocorre por conta do esforço dela.


Tem milhares de pessoas espalhadas por aí para ajudar o próximo, porque sentem que são diferenciadas e podem realizar isso. E podem mesmo. E como pode ter tanta gente especial? O mundo comporta tantos importantes missionários? Se todos são os transformadores, quem são os transformados? Se todos estão para ensinar, quem são os aprendizes? Se todos estão para conduzir, quem são os conduzidos?


Fiquei me perguntando se não há pessoas comuns, digo, que não sejam pessoas de destaque e imprescindíveis ao mundo, entende? E concluí que não. Todos querem ser e se sentem a cereja do bolo. E são mesmo. A vida é um grande bolo Floresta Negra lotado de cerejas suculentas e fundamentais para que ela possa ser de fato um bolo Floresta Negra.


Todo mundo acha que irá mudar algo ou alguém. E vai mesmo. Como diria Zezé di Camargo e Paula Fernandes, “Deus criou pra cada um seu próprio dom e junto pra cada talento, uma missão.” Uma missão e não a mesma missão. Uma missão no meio de tantos outros aprendizados que virão através da realização da missão dos outros.


Confuso? Decepcionante? Todo mundo acredita que tem algo de especial a ensinar para o próximo, e tem mesmo. Que tem um poder transformador. E tem mesmo. Mas também tem muitas coisas a aprender com o outro, sempre. Sinto muito, vaidoso. O fato é que na complexidade da evolução humana, estamos sendo o tempo todo e ao mesmo tempo, alunos e professores um dos outros, de matérias diferentes, maiores ou menores, mas igualmente importantes. Ninguém é mais que ninguém. Somos todos especiais.


Obrigada pela parte que toca.

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